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Aterosclerose: como as placas se formam nas artérias

O essencial em 30 segundos

  • A placa se forma na parede. Essas placas contêm colesterol, outras gorduras, células e tecido fibroso, e podem incluir cálcio.
  • Placa não significa sempre obstrução. Uma placa pode existir sem estreitamento importante.
  • O stent amplia a passagem do sangue. A placa não é retirada do organismo pelo procedimento.

Como o colesterol se acumula na parede arterial, participa da formação de placas e pode afetar a circulação nas coronárias, nas carótidas e na aorta.

O que é aterosclerose?

A aterosclerose é uma doença em que placas se formam na parede das artérias. Essas placas contêm colesterol, outras gorduras, células e tecido fibroso, e podem incluir cálcio. Ao longo do tempo, elas podem prejudicar a circulação.

Imagem original do post da Biocardio: vasos maiores e uma extensa rede de ramificações no formato do coração
Imagem do post original da Clínica Biocardio. As ramificações ajudam a explicar que a circulação do coração vai além das artérias de maior calibre.

O coração também precisa receber sangue

O coração impulsiona o sangue para o organismo, mas seu próprio músculo também precisa receber oxigênio e nutrientes. Essa função depende da circulação coronariana: uma rede que começa em artérias maiores e se ramifica em vasos progressivamente menores.

Na imagem, podemos acompanhar os vasos mais grossos e a trama de ramificações finas. Ela permite visualizar a ideia de uma rede de distribuição. É uma ilustração anatômica: não representa o exame de um paciente nem demonstra, por si só, uma doença da microcirculação.

As grandes artérias são o início do caminho

Entre os principais vasos estão a coronária direita e o tronco da coronária esquerda, que habitualmente se divide em descendente anterior e circunflexa. Seus ramos distribuem o sangue por diferentes regiões do músculo cardíaco.

Ilustração das coronárias com nomes: coronária direita, tronco da coronária esquerda, descendente anterior, circunflexa, ramo diagonal e ramo marginal obtuso
Principais artérias coronárias e alguns de seus ramos, em vista anterior simplificada. Clique na imagem para ampliar. Ilustração gerada por IA.

Uma placa de aterosclerose pode estreitar o interior de uma dessas artérias e limitar a chegada de sangue ao músculo. Entretanto, a circulação também pode apresentar problemas nos pequenos vasos, mesmo quando não há obstruções importantes nas artérias maiores.

Como o colesterol contribui para formar as placas?

O colesterol circula no sangue transportado por partículas, entre elas a LDL. Algumas dessas partículas podem atravessar o revestimento interno da artéria e ficar retidas na parede. Esse acúmulo participa do início da aterosclerose.

1. Partículas de LDL ficam retidas na parede

O processo começa dentro da parede arterial, abaixo do endotélio — a fina camada de células em contato com o sangue. A LDL retida pode sofrer modificações que favorecem uma resposta inflamatória.

2. A inflamação atrai células de defesa

Células chamadas macrófagos incorporam gordura e podem se transformar em células espumosas. Lipídios, células e seus resíduos vão se acumulando na parede.

3. A placa se organiza e pode crescer

Com o tempo, o acúmulo forma uma placa com componentes gordurosos e tecido fibroso; também pode haver cálcio. A placa pode crescer e estreitar o espaço por onde passa o sangue. Portanto, ela não é feita apenas de colesterol.

Do acúmulo de LDL na parede ao crescimento da placa: animação ilustrativa de 10 segundos que resume um processo de anos. Representação simplificada e fora de escala. Use os controles para pausar ou ampliar.
Cortes de uma artéria sem placa e de uma artéria com placa dentro da parede, diminuindo o espaço para passagem do sangue
A placa se desenvolve dentro da parede arterial e pode estreitar a passagem do sangue. Representação simplificada, gerada por IA e fora de escala. Clique para ampliar.
Três etapas da formação da placa: LDL retida na parede, células de defesa acumulando gordura e placa com capa fibrosa abaixo do revestimento interno da artéria
Da retenção de LDL à formação da placa: um processo gradual, ao longo de anos. Representação simplificada, gerada por IA e fora de escala. Clique para ampliar.
“O colesterol transportado pela LDL pode se acumular na parede da artéria. O organismo reage, surge inflamação e, ao longo do tempo, esse conjunto pode formar uma placa.”

Esse é um processo diferente da disfunção microvascular descrita a seguir, embora ambos possam coexistir.

Doença microvascular: quando o problema está nos pequenos vasos

Na disfunção microvascular coronariana, os pequenos vasos não regulam adequadamente o fluxo de sangue. Isso pode prejudicar a oferta de oxigênio ao músculo cardíaco e causar angina. O problema não precisa ser uma placa “entupindo” uma grande artéria.

“Imagine uma rede de ruas. As avenidas principais podem estar livres, mas a circulação nas ruas menores pode não funcionar bem. O coração depende de toda essa rede.”

Um exame sem obstruções coronarianas significativas não exclui todas as causas cardíacas de dor no peito. Ao mesmo tempo, esse resultado, isoladamente, não confirma doença microvascular: os sintomas e os demais achados precisam ser avaliados em conjunto.

O que os exames conseguem mostrar?

Angiotomografia das coronárias

A angiotomografia utiliza contraste injetado em uma veia e imagens de tomografia para avaliar as artérias coronárias, suas placas e estreitamentos. Reconstruções tridimensionais ajudam a apresentar a anatomia, mas não substituem a análise completa do exame.

Cateterismo e coronariografia

Na coronariografia, um cateter é introduzido por uma artéria, geralmente no punho ou na virilha, até a região do coração. O contraste e os raios X permitem visualizar o interior das coronárias e localizar estreitamentos.

A coronariografia convencional não mostra diretamente toda a microcirculação. Quando há suspeita de disfunção microvascular, podem ser necessários exames de perfusão ou testes específicos de função coronariana, definidos conforme cada caso.

Como a angioplastia com stent trata uma obstrução?

A angioplastia pode ampliar um segmento estreitado de uma artéria. O balão expande o stent e comprime a placa contra a parede do vaso. Depois, o balão é esvaziado e retirado; o stent permanece como uma estrutura de sustentação. A placa não é retirada do organismo pelo procedimento.

Angioplastia em movimento: o balão expande o stent e depois é retirado, enquanto o stent permanece no vaso. Animação ilustrativa de 10 segundos. Use os controles para pausar ou ampliar.

Por que o stent não resolve diretamente a doença microvascular?

O stent atua no segmento da artéria em que foi implantado. Ele não trata diretamente a disfunção da rede de pequenos vasos. Obstruções nas grandes coronárias e disfunção microvascular podem coexistir; por isso, o tratamento de uma lesão não garante que todos os mecanismos de angina tenham sido resolvidos.

Se os sintomas persistem após uma angioplastia, é necessária uma nova avaliação. A causa não deve ser atribuída automaticamente à microcirculação.

Voltando à imagem inicial“O stent trata um ponto de uma artéria maior. Mas o sangue ainda precisa chegar ao músculo por toda essa rede de pequenos vasos.”

O tratamento depende do mecanismo do problema

Medicamentos e controle de fatores de risco fazem parte do cuidado da doença coronariana. A indicação de angioplastia ou cirurgia depende dos sintomas, da anatomia, da repercussão das lesões e do contexto clínico. Na doença microvascular, o cuidado é direcionado ao funcionamento da circulação e ao controle dos sintomas, com avaliação individualizada.

Placas nas carótidas: a circulação que leva sangue ao cérebro

A aterosclerose também pode atingir as carótidas, localizadas no pescoço. De cada lado, a carótida comum se divide em carótida interna, que leva sangue ao cérebro, e carótida externa, que irriga principalmente a face e o couro cabeludo.

Ilustração realista da bifurcação carotídea: carótidas comum, interna e externa identificadas, com corte mostrando uma placa amarelada na parede e estreitamento da passagem do sangue

A placa se forma na parede e pode estreitar a passagem do sangue. Além disso, material da placa ou coágulos associados a ela podem se desprender e bloquear vasos menores no cérebro, causando um AVC isquêmico. A presença de uma placa não significa que um AVC necessariamente ocorrerá; o risco depende das características da doença e do contexto clínico.

A placa aterosclerótica carotídea também é utilizada como marcador de risco cardiovascular. Sua presença no ultrassom indica aterosclerose e pode ajudar a refinar a estimativa de risco de eventos como infarto e AVC, mesmo quando não há estreitamento importante. Esse achado deve ser interpretado junto com idade, colesterol, pressão arterial, diabetes, tabagismo e histórico clínico, para orientar as medidas de prevenção.

“Assim como nas artérias do coração, também podem se formar placas nas artérias do pescoço. Aqui, nossa atenção está na circulação que leva sangue ao cérebro.”

Placas de ateroma na aorta torácica

A aorta é a principal artéria que sai do coração e distribui sangue para o organismo. Seu trajeto dentro do tórax inclui a aorta ascendente, o arco da aorta e a aorta torácica descendente. Placas de ateroma também podem se formar na parede desse grande vaso.

Aorta ascendente, arco e aorta torácica descendente identificados, com detalhe ampliado de placas de ateroma dentro da parede e passagem do sangue preservada
Aorta torácica e detalhe de placas na parede, mantendo uma passagem aberta para o sangue. Clique para ampliar. Ilustração gerada por IA, simplificada e fora de escala.

O que significa encontrar uma placa nesse local?

O ateroma contém lipídios, células e tecido fibroso, podendo também apresentar cálcio. O achado indica aterosclerose e merece avaliação do risco cardiovascular. Como a aorta tem grande calibre, a presença de placas não significa necessariamente uma obstrução importante à passagem do sangue.

Por que algumas placas merecem mais atenção?

A localização, a espessura e características como ulceração ou componentes móveis ajudam a avaliar o risco. Algumas placas podem originar material ou coágulos que seguem pela circulação e obstruem vasos menores — processo chamado embolização. Placas no arco da aorta podem ser uma fonte de êmbolos para o cérebro. Isso não significa que toda placa vá causar uma complicação.

Como é feito o cuidado?

O cuidado inclui controle dos fatores de risco e tratamento medicamentoso conforme a avaliação clínica. A decisão considera o exame, os sintomas e as outras doenças cardiovasculares. A expressão “ateromatose da aorta”, isoladamente, não determina necessidade de cirurgia ou stent.

A presença de placas na parede da aorta não significa necessariamente que ela esteja obstruída. O achado reforça a importância de avaliar as características das placas e cuidar da saúde cardiovascular.

Perguntas frequentes sobre placas de aterosclerose

Placa de ateroma e placa de aterosclerose são a mesma coisa?

Neste contexto, os dois termos se referem à placa que se forma na parede arterial durante a aterosclerose. Ela pode conter lipídios, células, tecido fibroso e cálcio.

O colesterol fica grudado por dentro da artéria?

A formação da placa envolve a retenção de partículas como a LDL dentro da parede arterial, abaixo do endotélio, acompanhada de inflamação. Não é apenas uma camada de gordura solta sobre a superfície.

Ter uma placa significa que a artéria está entupida?

Não necessariamente. Uma placa pode existir sem estreitamento importante. A avaliação considera sua localização, características, repercussão na circulação e o contexto clínico.

O stent retira a placa da artéria?

Não. Na angioplastia, a expansão do balão e do stent comprime a placa contra a parede e amplia a passagem do sangue. O stent permanece no segmento tratado.

Referências

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