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O Músculo como Órgão da Longevidade: A Ciência por trás do Treinamento de Força na Terceira Idade

  • Foto do escritor: Dr. Salomão Barauna Alcolumbre
    Dr. Salomão Barauna Alcolumbre
  • 2 de jan.
  • 2 min de leitura

Revisado por:

Dr. Salomão Alcolumbre - Cardiologista

CRM: 1098/RQE: 1024


Por muito tempo, a medicina encarou a musculação apenas como uma ferramenta para melhora estética ou desempenho atlético. Hoje, a ciência cardiovascular e geriátrica mudou drasticamente esse paradigma: na terceira idade, o tecido muscular é o principal determinante de funcionalidade, metabolismo e sobrevida.


Não se trata apenas de ficar forte. Trata-se de manter o corpo metabolicamente viável.



Sarcopenia e Dinapenia: O Risco Silencioso


O envelhecimento traz consigo dois processos distintos e perigosos. A sarcopenia é a perda progressiva de massa muscular. Porém, mais grave ainda é a dinapenia: a perda da força muscular e da capacidade de gerar potência.


Estudos mostram que a perda de força acontece de 2 a 5 vezes mais rápido que a perda de massa. O idoso dinapênico torna-se frágil, aumentando exponencialmente o risco de quedas, fraturas de fêmur e hospitalizações que, muitas vezes, são o início de um declínio irreversível. A musculação é a única intervenção não farmacológica capaz de frear e reverter esse processo.


O Músculo é um Órgão Endócrino


A maior descoberta recente na fisiologia do exercício é que o músculo esquelético atua como um órgão endócrino. Quando contraído sob resistência (peso), o músculo libera substâncias chamadas miocinas.

Essas moléculas mensageiras viajam pela corrente sanguínea e exercem efeitos anti-inflamatórios potentes em todo o corpo. Elas ajudam a:

  1. Combater a inflamação crônica de baixo grau (comum em idosos e ligada a doenças cardíacas).

  2. Melhorar a função endotelial (a saúde da parede das artérias).

  3. Regular o metabolismo da glicose, aumentando a sensibilidade à insulina de forma independente do pâncreas.


Impacto Cardiovascular e Metabólico


Para o coração, o treinamento de força bem orientado oferece uma "hemodinâmica protetora". O aumento da massa magra transforma o corpo em uma "esponja" de glicose, reduzindo a carga glicêmica e protegendo os vasos sanguíneos contra os danos do diabetes e da síndrome metabólica.


Além disso, a força muscular está inversamente associada à mortalidade por todas as causas. Ou seja: idosos mais fortes vivem mais e com menos eventos cardiovasculares graves do que idosos fracos, independentemente de outros fatores.


Conclusão: Uma Questão de Autonomia


A reserva muscular na terceira idade é o que chamamos de "poupança de saúde". Ela é a diferença entre um envelhecimento dependente e um envelhecimento ativo. Prescrever o treinamento de força é prescrever manutenção da autonomia, proteção cognitiva e defesa cardiovascular. O músculo é, de fato, a armadura do idoso.


Referências Bibliográficas


  1. Pedersen, B. K. (2019). Physical activity and muscle-brain crosstalk. Nature Reviews Endocrinology. (Aborda as miocinas e o papel endócrino do músculo).

  2. Cruz-Jentoft, A. J., et al. (2019). Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age and Ageing. (Definição atualizada e riscos da sarcopenia).

  3. Momma, H., et al. (2022). Muscle-strengthening activities are associated with lower risk and mortality in major non-communicable diseases: a systematic review and meta-analysis of cohort studies. British Journal of Sports Medicine. (Associação entre força e redução de mortalidade).

  4. American Heart Association (AHA). Resistance Exercise in Individuals With and Without Cardiovascular Disease: 2007 Update: A Scientific Statement From the American Heart Association Council on Clinical Cardiology. (Diretrizes de segurança cardiovascular).

 
 
 

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