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O Coração da Mulher: Por que os sintomas de infarto nelas são diferentes?

  • 27 de fev.
  • 4 min de leitura

Quando pensamos em um infarto, a imagem que geralmente vem à mente é a de um homem levando a mão ao peito com uma dor insuportável. No entanto, a realidade médica nos mostra um cenário bem diferente e mais complexo: o coração da mulher adoece de forma distinta, e ignorar essa diferença pode custar vidas.



Recentemente, a American Heart Association (AHA) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) emitiram alertas sobre o aumento preocupante de doenças cardiovasculares em mulheres, inclusive nas mais jovens.


No Brasil, as doenças do coração já são a principal causa de morte feminina, superando o câncer de mama e de útero somados.

Mas por que ainda falamos tão pouco sobre isso? A resposta está na forma como o corpo feminino manifesta o problema. Neste artigo, vamos desmistificar os sinais de alerta e entender por que a prevenção deve ser a prioridade de toda mulher.


O Mito da "Dor Típica" no Peito


A clássica dor no peito que irradia para o braço esquerdo — chamada pelos médicos de angina típica — ocorre em cerca de 90% dos homens que infartam. Nas mulheres, porém, essa estatística cai consideravelmente.

Embora muitas mulheres também sintam pressão no peito, uma porcentagem significativa (entre 10% a 30%) apresenta o que chamamos de sintomas atípicos. Esses sinais são frequentemente confundidos com mal-estar comum, estresse ou problemas digestivos, o que atrasa a busca por socorro médico.


Sintomas que as mulheres não podem ignorar:


  • Cansaço extremo e inexplicável: Uma fadiga súbita que impede a realização de tarefas simples do dia a dia.

  • Falta de ar: Sensação de sufocamento ou dificuldade para respirar, mesmo em repouso.

  • Náuseas e vômitos: Frequentemente confundidos com uma intoxicação alimentar ou gastrite.

  • Dor nas costas ou mandíbula: A dor pode se concentrar entre as escápulas ou subir para o pescoço e queixo.

  • Suor frio e tontura: Uma sensação de desmaio iminente sem causa aparente.

  • Pressão ou queimação no estômago: Muitas vezes descrita como uma "indigestão forte".

  • Dica de Ouro: Se você sentir um desconforto súbito da cintura para cima que não melhora em 15 minutos e vem acompanhado de suor frio ou falta de ar, procure uma emergência imediatamente. Tempo é músculo cardíaco.


Por que nelas é diferente?


A diferença não é apenas nos sintomas, mas na própria estrutura das artérias. Enquanto nos homens o infarto geralmente ocorre pela obstrução de uma grande artéria (como um cano entupido), nas mulheres é comum a doença microvascular.

Isso significa que o problema pode estar em vasos muito pequenos, que não aparecem claramente em exames tradicionais se o médico não estiver atento. Além disso, as mulheres possuem fatores de risco únicos e específicos ao longo da vida:

1.Menopausa: A queda do estrogênio retira uma camada de proteção natural das artérias, aumentando o risco de entupimentos.

2.Gravidez: Condições como pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional elevam o risco cardiovascular para o resto da vida.

3.Anticoncepcionais e Tabagismo: A combinação de pílula e cigarro é uma das principais causas de infarto em mulheres jovens.

4.Estresse e Emoções: O coração feminino é particularmente sensível ao estresse crônico, podendo desenvolver a chamada "Síndrome do Coração Partido" (Miocardiopatia de Takotsubo).


O Perigo do Atraso no Diagnóstico


Infelizmente, as estatísticas mostram que as mulheres demoram mais para chegar ao hospital do que os homens. Muitas vezes, a própria paciente minimiza seus sintomas, priorizando o cuidado com a família e a casa antes de olhar para a própria saúde.

Além disso, existe o viés de diagnóstico: como os sintomas são "estranhos", às vezes são confundidos com crises de ansiedade ou ataques de pânico em prontos-socorros. Por isso, na Clínica Biocardio, reforçamos a importância de um check-up cardiológico preventivo e de uma escuta médica atenta às particularidades femininas.


Como Prevenir: O Guia Prático para a Mulher


A boa notícia é que 80% dos eventos cardiovasculares podem ser evitados com mudanças simples no estilo de vida.

Pilar da Prevenção

O que fazer na prática

Alimentação

Priorize a Dieta DASH (rica em frutas, vegetais e grãos integrais) e reduza o sal.

Movimento

Tente caminhar pelo menos 30 minutos por dia, 5 vezes por semana.

Check-up

Monitore sua pressão arterial e níveis de colesterol anualmente.

Saúde Mental

Reserve momentos de lazer e aprenda técnicas de manejo de estresse.

Cigarro

Se você fuma, este é o momento de buscar ajuda para parar. O risco cai pela metade em um ano sem fumar.

Conclusão: Escute o Seu Coração


O coração da mulher é resiliente, mas precisa de atenção especializada. Conhecer os sintomas atípicos e entender que o infarto feminino não segue o "roteiro do cinema" é o primeiro passo para a proteção.


Não espere sentir uma dor insuportável para agir. Se você tem histórico familiar, passou pela menopausa ou sente alguns dos sintomas citados de forma recorrente, agende uma consulta. Prevenir é sempre o melhor tratamento.


Revisão médica:

Dr. Salomão Alcolumbre

Cardiologista | RQE: 1024


Referências:

  • American Heart Association (AHA) - 2026 Heart Disease and Stroke Statistics Update.

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) - Posicionamento sobre Saúde Cardiovascular nas Mulheres.

  • Diretriz de Síndrome Coronariana Aguda - SBC 2025/2026.

 
 
 

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