Cateterismo Cardíaco: O que você precisa saber sobre este exame essencial
- Dr. Salomão Barauna Alcolumbre

- 20 de nov.
- 3 min de leitura
Quando o cardiologista solicita um cateterismo, é natural que surjam dúvidas e apreensões. Afinal, estamos falando de um procedimento que envolve o coração – órgão vital do nosso corpo. Mas o cateterismo cardíaco representa, na verdade, um dos maiores avanços da medicina cardiovascular moderna.

Entendendo o procedimento
O cateterismo consiste na introdução de um tubo fino e flexível (o cateter) através de uma artéria, geralmente no punho ou na virilha, até chegar às artérias coronárias. Parece assustador? Na prática, é feito com anestesia local e o paciente permanece acordado durante todo o tempo, podendo inclusive conversar com a equipe médica.
A grande vantagem desse exame está na sua capacidade de fornecer imagens em tempo real do interior das artérias do coração. É como se pudéssemos "ver por dentro" o funcionamento cardiovascular, identificando obstruções, estreitamentos ou outras alterações que exames menos invasivos não conseguem detectar com tanta precisão.
Quando o cateterismo é indicado?
Várias situações podem levar à necessidade de um cateterismo. Pacientes com dor torácica persistente, que não melhora com medicamentos, frequentemente precisam deste exame para esclarecer a causa dos sintomas. Quem já sofreu um infarto também pode necessitar do procedimento, tanto na fase aguda quanto no acompanhamento posterior.
Resultados alterados em exames como o teste ergométrico ou a cintilografia miocárdica muitas vezes servem como "sinal amarelo", indicando que vale investigar mais a fundo. O cateterismo entra aqui como ferramenta diagnóstica definitiva
.
O dia do exame
A preparação começa antes mesmo de chegar ao hospital. Normalmente é necessário jejum de pelo menos 6 horas. Alguns medicamentos podem precisar ser ajustados dias antes – por isso a importância de uma consulta pré-procedimento detalhada.
No hospital, após a chegada e os preparativos iniciais, o paciente é levado ao laboratório de hemodinâmica. O ambiente lembra uma sala cirúrgica, com equipamentos sofisticados de imagem.
A equipe médica explica cada etapa, o que ajuda bastante a reduzir a ansiedade.
Durante o procedimento, que costuma durar entre 30 minutos e uma hora, você pode sentir uma leve pressão no local da punção e eventualmente uma sensação de calor quando o contraste é injetado – isso é completamente normal. Dor intensa não faz parte do esperado.
E se encontrarem alguma obstrução?
Aqui está outra vantagem do cateterismo: ele pode ser diagnóstico E terapêutico ao mesmo tempo. Caso seja identificada uma obstrução significativa, o cardiologista pode realizar a angioplastia imediatamente, desobstruindo a artéria e colocando um stent (uma pequena mola metálica) para mantê-la aberta.
Claro que essa decisão depende de vários fatores: localização e extensão da obstrução, condições clínicas do paciente, número de artérias afetadas. Em alguns casos, pode ser mais adequado programar uma cirurgia de revascularização miocárdica (a ponte de safena). Tudo isso é discutido com o paciente e seus familiares.
Recuperação e cuidados
Após o exame, você ficará em observação por algumas horas. O repouso é fundamental – principalmente se a punção foi na virilha, quando é preciso ficar deitado com a perna estendida por 4 a 6 horas para garantir boa cicatrização.
A alta hospitalar geralmente ocorre no mesmo dia, se tudo correr bem. Em casa, os cuidados incluem evitar esforços físicos intensos nos primeiros dias, manter o local da punção limpo e seco, e ficar atento a sinais de complicações como sangramento, inchaço excessivo ou febre.
Riscos existem?
Seria desonesto dizer que o cateterismo é isento de riscos. Como qualquer procedimento médico invasivo, existem possíveis complicações: sangramento no local da punção, reação alérgica ao contraste, arritmias cardíacas, em casos raros infarto ou AVC.
Porém, nas mãos de uma equipe experiente e com equipamentos adequados, a taxa de complicações graves é muito baixa – inferior a 1%. Os benefícios diagnósticos e terapêuticos costumam superar amplamente os riscos envolvidos.
A importância do acompanhamento
O cateterismo não é o fim da jornada, mas uma etapa importante dela. Independente do resultado, o acompanhamento cardiológico regular continua essencial. Mudanças no estilo de vida, controle de fatores de risco como pressão alta, diabetes e colesterol elevado, além do uso correto das medicações prescritas fazem toda a diferença no prognóstico.
Aqui na Clínica Biocardio, nosso compromisso vai além da realização de exames. Buscamos estabelecer uma relação de confiança com cada paciente, esclarecendo dúvidas, orientando sobre tratamentos e acompanhando de perto sua evolução. Porque cuidar do coração é também cuidar da vida como um todo.
Fontes consultadas:
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2014.
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Nissen SE, Yock P. Intravascular ultrasound: novel pathophysiological insights and current clinical applications. Circulation. 2001;103(4):604-16.
Sousa AGMR, et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST. Arq Bras Cardiol. 2014.
Kern MJ, Sorajja P, Lim MJ. The Cardiac Catheterization Handbook. 6th ed. Elsevier; 2015.




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